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MS apresenta queda nos índices do Ideb no Ensino Fundamental

Capital também teve decréscimo nos números de 2015.

03 de Setembro de 2018
21:30

O governo federal divulgou ontem o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2017 e o Mato Grosso do Sul ficou abaixo da meta projetada para 2017 no final do ciclo do ensino fundamental e continuou despencando no terceiro ano do ensino médio.

No Estado, a média do Ensino Fundamental caiu de 4,2 para o último ano de avaliação, em 2015, para 3,6 em 2017.

A média de Campo Grande foi de 5,8 em 2015 para 5,7 no ano passado

A cada dois anos o índice é calculado pela taxa de aprovação das escolas e as médias de desempenho dos alunos em avalição de matemática e português. A meta é fazer o Brasil atingir a média 6,0 em 2022 (mesmo patamar educacional da média dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Mas os dados do ano passado mostram a mesma tendência da educação brasileira visualizada nas avaliações anteriores. Os resultados são melhores no primeiro ciclo do ensino fundamental, perdem força no ciclo final dessa etapa e praticamente ficam estagnados no ensino médio.

O Ideb da rede pública do país nos anos finais avançou, de 4,2 para 4,4, mas não chegou na meta para 2017, que é 4,7. A situação é pior no Mato Grosso do Sul. Os alunos que terminam o ensino médio nas escolas pública e privadas chegaram a média de 3,8 sendo que a média era 4,6. Quando separa o grupo para estudantes do  3º ano do ensino médio das escolas estaduais o índice despenca desde 2015. Os estudantes da rede privada também não alcançaram os dados, mas ficaram próximos.

Para a especialista em gestão escolar, Liliana de Souza Araújo, os números são resultado de uma “sequência de erros”. “Principalmente o terceiro ano está mal porque é o final dos estudos. Você vê pelos índices que os alunos não adquireiram as competências da aprendizagem. Há uma defazagem e cai tudo no terceiro ano, como sendo a falta disso tudo”, explicou.

Outro fator importante é a falta de interesse do aluno pela educação. “É como se o ensino tivesse parado no tempo e os estudantes têm tantas outras coisas para fazer. As tecnologias que eles usam não acompanha a aprendizagem”. A gestora afirma que assim que os índices são publicados as secretarias de educação estadual e municipal orienta as escolas a melhorar os cenários com projetos de aprendizagem.

Mas na opinião de Liliana essa medida não resolve. “O que precisaria mesmo é uma reformulação de currículo, que é o que eles (SED) estão fazendo agora. Inflar o aluno de muito conhecimento, faz com que nen tudo seja adquirido. Deveria diminuir a quantidade de conhecimento e aumentar o tempo do aluno na escola. As ações acabam sendo inútil. Acabamos rodando em círculo”, conclui.

ENSINO FUNDAMENTAL

As dificuldades de aprendizagem dos estudantes já é verificada no final do ensino fundamental. Em todo o país apenas dois em cada dez municípios conseguiram bater suas próprias metas projetadas para o 8º e 9º ano.  Das 3.130 escolas de anos finais com Ideb calculado no ano passado, apenas 22% (675) cresceram no indicador e também bateram a meta. Outras 1.134 (36%) subiram no Ideb em 2017, mas permaneceram aquém da meta. A maioria das cidades caiu ou ficou estagnada: são 1.321 cidades nessa condição, o que representa 42%.

Mesmo com melhora no indicador médio no ensino fundamental nas duas etapas, o quadro de 2017 é de piora quando se olha para o comportamento de todas as redes. Na edição de 2015, o percentual de cidades que avançaram e bateram a meta nos anos iniciais foi maior, 31%. Nos anos finais, também em 2015, foram 27%. Isso mostra que os alunos já chegam com grandes defasagens no ensino médio.

Sem planos de reformas ou melhorias no ensino, os estudantes preferem a evsão escolar. Hoje, metade dos joves de 15 a 17 anos decidiram abandonar as salas de aula quando ainda estavam no fundamental. O governo federal e parte dos especialistas apontam a Base Nacional Comum Curricular como uma estratégia importante para a melhora dos resultados nessa etapa. A base define o que os alunos devem aprender na educação básica e vai orientar currículos locais e livros didáticos, por exemplo.

A parte da base que fala da educação infantil ao ensino fundamental já foi finalizada e estados e municípios têm discutido as adaptações curriculares. O bloco do ensino médio continua em discussão no CNE (Conselho Nacional de Educação).

No Brasil,  mais da metade (54%) dos 5.077 municípios com Ideb calculado nesta etapa conseguiram avançar e atender os objetivos traçados. Outros 764 municípios (15%) subiram mas não bateram a meta. Caíram ou ficaram estagnados 1.590 cidades, o que representa 31%.

Fonte Correio do Estado

Foto de capa: Índices educacionais tiveram queda tanto no Estado quanto na Capital - Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado

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