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Líder do governo Bolsonaro coloca cargo à disposição após operação da PF

Endereços ligados ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) são alvos de busca e apreensão em investigação contra o desvio de verba em obras no Nordeste

19 de Setembro de 2019
12:00
Antonio Cruz/ABr/VEJA

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disse nesta quinta-feira, 19, que colocou à disposição o cargo de líder do governo Jair Bolsonaro no Senado. Ele é um dos alvos de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bezerra Coelho é suspeito de integrar um esquema criminoso de pagamentos de vantagens indevidas, por parte de empreiteiras, em favor de autoridades. Ao deixar seu apartamento funcional em Brasília, o senador afirmou que teve uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alvolumbre (DEM-AP), e com o ministro Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil. Ele disse que caberá ao Palácio do Planalto avaliar se deve deixar a liderança do governo. Não houve manifestação da Presidência da República até o momento. “Tomei a iniciativa de colocar à disposição o cargo de líder do governo para que o governo possa, ao longo dos próximos dias, fazer uma avaliação se não seria o momento de proceder a uma nova escolha ou não. Esse é um julgamento e um juízo que será feito pelo presidente e pelo ministro-chefe da Casa Civil”, disse Bezerra Coelho. Outro alvo da operação é o filho de Bezerra Coelho, o deputado e ex-ministro de Minas e Energia Fernando Coelho Filho (DEM-PE). Foram expedidos 52 mandados de busca e apreensão contra os endereços de todos os investigados, dentre eles autoridades públicas, beneficiários dos recursos e das empreiteiras envolvidas. Cerca de 220 policiais federais participam das diligências. A investigação, instaurada em 2017, teve início a partir de colaborações firmadas com presos no âmbito da Operação Turbulência, deflagrada em junho de 2016 e que apurava o uso de empresas de fachada, controladas pelos delatores, na lavagem de dinheiro de empreiteiras e no pagamento de propinas a políticos. Os delatores confirmaram os pagamentos de propinas a autoridades públicas, feitos entre 2012 e 2014 por empreiteiras que executavam obras custeadas com recursos públicos no Nordeste. A investigação constatou que dívidas pessoais de autoridades, principalmente relativas às campanhas eleitorais, foram pagas pelas empresas investigadas. O advogado André Callegari, que atua na defesa de Bezerra Coelho, havia dito em nota que o senador era vítima de retaliação. “Causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, disse. Fonte: Veja

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