revistadestaque@terra.com.br
(67) 3384-4384

Movimento volta às ruas da Capital e com muitos idosos

Alguns têm sensação de que doença não é grave e concordam com discurso do presidente

01 de Abril de 2020
11:13
Valdenir Rezende/Correio do Estado

Após alguns relaxamentos nas restrições de funcionamento de empreendimentos comerciais em função da pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, com a reabertura de bares, restaurantes e a volta dos bancos, a movimentação tem voltado às ruas de Campo Grande. Aos poucos é possível encontrar pessoas andando pelas ruas da região Central, dentre elas, muitos eram idosos. Desde a segunda-feira (30) a Prefeitura de Campo Grande já havia liberado, com algumas regras, o funcionamento de restaurantes e bares e já na sexta-feira o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) havia decretado a abertura de casas lotéricas. As agências bancárias também voltaram a atender o público, porém, com horário reduzido e com diferenciação para idosos. Tudo isso contribui para que, apesar de tímido, a movimentação de pessoas e principalmente no trânsito, tenha crescido. Segundo o taxista Mário Porfírio Lopes, 55 anos, esta quarta-feira, primeiro dia de abril, foi bem mais movimentada que nos últimos dias, apesar de não se comparar com a correria de antes da pandemia. “Como os bancos voltaram está bem movimentado em comparação com segunda, pessoal veio receber”. Para ele, mesmo dependendo do dinheiro que recebe com as corridas, que caíram com o fechamento das lojas, a abertura gradual deveria esperar mais 15 dias. “Acho que agora não podia abrir, porque agora que é perigoso, deviam esperar mais uns 15 dias. Eu estou aqui mais porque vim para um compromisso. Eu mesmo não vejo meu neto tem duas semanas, só vejo por foto que o pai dele me manda. Estou com saudades, mas é o certo a fazer”. Já o aposentado Martin da Silva Guerra, 74 anos, disse que só saiu de casa porque estava ajudando um vizinho, de 90 anos. “Eu moro sozinho, não tenho ninguém para fazer minhas coisas por mim e meu vizinho é ainda mais velho, então resolvi ajudá-lo”, contou, mostrando a listinha de compra que iria fazer para o conhecido. “Eu sei que eu estou errado, eu deveria estar em casa, mas tinha que ajudar. Estou tomando todos os cuidados, lavando as mãos toda hora, passando álcool em gel, não me aproximo muito das pessoas, mas penso que quando tem que acontecer não tem jeito”, afirma o idoso, que mora no bairro Cabreúva e disse ter ido a pé até o centro, já que o transporte público atende apenas servidores da saúde e de comércios essenciais. Apesar de alguns entenderem a gravidade da situação, muitos concordam com a visão do presidente Jair Bolsonaro, de que o isolamento não deveria ser feito de forma “radical”. “Não está certo desse jeito, eu acho que se a pessoa pode abrir sua loja sem manter contato com muita gente, isso deveria ser feito. É igual o Bolsonaro disse, as pessoas têm que trabalhar”, declarou Francisco Evangelista, 68 anos, que mora na região central e saiu de casa para ir ao banco. Opinião que é compartilhada pelo porteiro Antonio Carlos de Oliveira, 56 anos, que pedala 18 quilômetros dia sim, dia não, para chegar ao trabalho. “Faz cinco anos que eu não pego uma gripe, não acredito que seja tudo isso. Igual o Bolsonaro falou, tem que abrir o comércio, senão o pessoal morre de fome”. Apesar dos pronunciamentos do presidente da República, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, orientou para que as pessoas que podem, permaneçam em suas casas e que os governantes tomem decisão de restrição ou não baseado na situação de cada região. A restrição de abertura do comércio em Campo Grande foi publicado em edição extra do Diário Oficial de Campo Grande do dia 19 de março. No texto a Prefeitura determinava o fechamento para o público de estabelecimentos não essenciais do dia 21 de março até o dia 5 de abril deste ano. A medida, que se tornará sem valor a partir de segunda-feira (6) poderá ter o período prorrogado. Em Mato Grosso do Sul, conforme o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na terça-feira (31), 48 casos foram confirmados pelo novo coronavírus e há 554 notificações. A maioria continua sendo em Campo Grande, com 37 confirmações. A primeira morte pela doença no Estado foi confirmada ontem, em Dourados. Fonte: Correio do Estado

Matéria não encontrada!