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Familiares e entidades fazem mobilização contra federalização da investigação das mortes de Marielle e Anderson Gomes

STJ julga nesta quarta-feira o pedido de mudança de competência da investigação. Mônica Benício, ex-companheira de Marielle, defende que caso permaneça na esfera estadual, a fim de evitar mais demora na elucidação dos fatos.

27 de Maio de 2020
12:00
Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro/AFP/Arquivo

Mais de 800 dias depois das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018, as investigações do crime podem ficar a cargo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Familiares e outras entidades, no entanto, são contrários à mudança de competência e fazem uma mobilização na internet. Eles vão acompanhar o julgamento, que começa às 14h desta quarta-feira (27), pelo Superior Tribunal de Justiça. Segundo apurou o G1, a tendência do tribunal é negar a federalização, como quer a família da vereadora. Mônica Benício, ex-companheira de Marielle, explica que a possibilidade de que as investigações, que já duram 2 anos e 2 meses, demorem mais tempo é um dos motivos. A suposta interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, segundo ela, também causa apreensão. “Se tem esse deslocamento de competência, quem teria o encargo de assumir isso teria que se atualizar do inquérito, um volume absurdo de material colhido até aqui, e isso imediatamente geraria ônus para a investigação. Isso geraria ainda mais tempo para a gente chegar aos mandantes, se é que chegaríamos, se poderíamos acreditar que haveria imparcialidade dessa Polícia Federal", afirmou Mônica. A ex-companheira de Marielle também cita uma fala do presidente Jair Bolsonaro, em que ele afirma ter pedido que a Polícia Federal fizesse um interrogatório com Ronnie Lessa, preso em 2019 e acusado de ter disparado contra o carro dirigido por Anderson Gomes e onde estava a vereadora do PSOL. O objetivo seria comprovar que Jair Renan, filho do presidente, não namorou uma filha de Ronnie Lessa. O presidente diz ainda que teria uma cópia do interrogatório. “Essa possibilidade de federalização se agrava quando, na coletiva de despedida, o atual ex-ministro Sérgio Moro declara que o presidente queria fazer uma intervenção política, e o presidente confirma isso, fala especificamente do caso da Marielle. Não só iria intervir, como interviu. Pediu para a Polícia Federal ir até Mossoró, interrogar o que hoje se suspeita ser o atirador, o Ronnie Lessa, e que ele inclusive tem uma cópia deste interrogatório", disse Mônica. Bolsonaro reconhece que pediu a troca do superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Questionado por jornalistas, ele respondeu: "O Rio é o meu estado. Vamos lá. Caso porteiro. Como foi a PF no caso porteiro? Eu fui acusado de tentar matar a Marielle. Você quer algo mais grave que isso? Não interessa quem seja. Acusado de um assassinato. Um presidente da República acusado de um assassinato. A Polícia Federal tinha que investigar. Por que não investigou com profundidade?", respondeu. Em 2018, um porteiro do condomínio onde Bolsonaro tem uma casa no Rio disse em depoimento que um dos suspeitos de matar Marielle Franco esteve no condomínio e quem liberou a entrada dele foi o "seu Jair". Depois, o porteiro voltou atrás, afirmando que errou. Procurada, a Presidência da República não se pronunciou a publicação desta reportagem. Carta Aberta Em carta aberta no site que faz campanha contra a federalização do caso, familiares de Marielle e Anderson explicam motivos pelos quais são contra a transferência das investigações para a Polícia Federal. Até as 10h40 desta quarta-feira, a campanha virtual tinha mais de 140 mil assinaturas. "Temos dedicado nossas vidas a acompanhar o processo e as investigações de perto, o que nos causa um profundo desgaste emocional e ainda mais dor. Contudo, por amor e respeito a memória de Marielle e Anderson, tornou-se prioridade em nossas vidas cobrar justiça para ambos. O mundo, chocado com tamanha brutalidade e entendendo a dimensão política e social presente na articulação deste crime, veio, ao longo destes dois anos, manifestando apoio não só a familiares, mas a todos os brasileiros. Este apoio nos tem servido também como alicerce para seguirmos a jornada junto ao Poder Judiciário em busca da elucidação do caso. Nesse sentido, atuamos como assistentes de acusação no processo que apura a responsabilidade dos autores diretos do crime, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, em tramitação na Justiça do Rio de Janeiro, no qual já consta decisão determinando o julgamento dos acusados pelo Tribunal do Júri. Consideramos que este é mais um motivo para que o caso permaneça sob a responsabilidade das instituições de Justiça estaduais", diz o documento. Fonte: G1

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