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Mortes entre pretos e pardos por doenças respiratórias crescem mais do que entre brancos durante a pandemia, segundo cartórios

Entre a população que teve a morte relacionada ao coronavírus, percentuais indicam 44% de mortes de brancos, 38,4% de pardos e 8,2% de pretos.

13 de Julho de 2020
17:07
Foto: Antonio Molina/Estadão Conteúdo

O registro de mortes por doenças respiratórias entre aqueles declarados pretos e pardos cresceu mais de 70% durante os meses de pandemia, se comparado ao mesmo período do ano anterior. O índice é superior ao registrado entre todas as outras raças. Os dados são do Portal da Transparência, divulgados nesta segunda-feira (13), com base em registros de óbitos feitos nos cartórios do país. Os números são de mortes ocorridas entre 16 de março e 30 de junho de 2020, e mostram que os registros de mortes por doenças respiratórias cresceram 34,5% no período. No recorte por raça, as mortes registradas por Insuficiência Respiratória, Pneumonia, Septicemia e Síndrome Respiratória Grave (SRAG) mataram: 72,8% mais pardos 70,2% mais pretos 45,5% mais indígenas 40,4% mais amarelos 24,5% mais brancos Mortes por causas naturais As mortes por causas naturais entre aqueles declarados pretos e pardos cresceu mais de 30% durante os meses de pandemia, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Os números apontam que houve aumento de 13% no total geral de mortes por causas naturais. Entre elas, houve: 31,4% mais mortes de pardos 31,1% mais mortes de pretos 15,3% mais mortes de amarelos 13,2% mais mortes de indígenas 9,3% mais mortes de brancos Em números absolutos: 390.078 pessoas morreram de causas naturais no período 181.591 são brancas 121.768 são pardas 25.782 são pretas 3.948 são amarelas 701 são indígenas De acordo com os dados, 56.288 mortes por causas naturais não continham a informação sobre raça e cor. Mortes por coronavírus Os dados apontam que, nas mortes que tiveram causa relacionada à infecção por coronavírus, a proporção entre as raças da população é a seguinte: 44,4% das mortes são de pessoas brancas 38,4% das mortes são de pessoas pardas 8,2% das mortes são de pessoas pretas 1,5% das mortes são de pessoas amarelas 0,24% das mortes são de pessoas indígenas 7,2% das mortes são de pessoas com raça/cor ignorada Mortes por doenças cardíacas As mortes que tiveram as causas registradas como doenças cardíacas tiveram aumento de 0,7% no período. OS registros que incluem AVC, Infarto, e demais doenças cardiológicas (que causam morte súbita, parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico), indicam aumento por raça: 13,7% mais pretos 8,4% mais pardos 2,2% mais indígenas As populações identificadas como branca e amarela registraram queda no período. Para brancos, houve redução de 0,5%; para amarelos, queda de 0,3%. Maior risco entre pretos, pardos e indígenas Um estudo, coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revelou que a prevalência do coronavírus Sars-Cov-2 entre a população indígena urbana (5,4%) é cinco vezes à encontrada na população branca (1,1%). O levantamento avaliou apenas moradores de cidades brasileiras e não entrevistou indígenas que vivem em aldeias. Pretos e pardos também apresentaram maior proporção de testes positivos que brancos, respectivamente 2,5% e 3,1%. Já um outro estudo, feito pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde,da PUC-Rio, indica que pretos e pardos morreram por Covid-19 mais do que brancos no Brasil. "O que a pandemia tem evidenciado é o que vários estudos já mostravam em relação ao maior prejuízo da população pobre e negra ao acesso da saúde. A Covid-19 encontra um terreno favorável porque essas pessoas estão em um cenário de desigualdade de saúde e de precarização da vida", afirma Emanuelle Góes, doutora em saúde pública pela Universidade Federal da Bahia e pesquisadora do Cidacs/Fiocruz sobre desigualdades raciais e acesso a serviços de saúde. Entre os motivos, os pesquisadores apontam: acesso a serviços de saúde condições de vida da população mais pobre falta de acesso ao saneamento básico fome ou necessidade de trabalhar para poder pagar a comida do dia Fonte: G1

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