revistadestaque@terra.com.br
(67) 3384-4384

Após mudança de metodologia, estados passam a contabilizar casos antigos de Covid-19

Desde o começo do mês, o Ministério da Saúde acrescentou o diagnóstico por imagem para registrar casos e mortes por Covid-19; secretarias podem revisar dados anteriores.

13 de Agosto de 2020
20:21
Foto: Reuters

Uma mudança realizada pelo Ministério da Saúde na metodologia de definição dos casos de Covid-19 levou estados a somarem casos antigos de mortes causadas pelo novo coronavírus em seus balanços recentes. Nesta quinta-feira (13), o estado de São Paulo acrescentou 221 óbitos que ocorreram no decorrer da pandemia. Já o estado do Amazonas fez a inclusão de mortes "antigas" em mais de um dia. Desde 28 de julho o Ministério da Saúde permite que casos com diagnóstico por imagem (tomografia) sejam notificados. Além disso, o governo ampliou a definição de casos clínicos (aqueles identificados apenas pela consulta com o médico) e inclui mais possibilidades nos testes de Covid. A mudança foi realizada inicialmente nos formulários da plataforma Sivep-Gripe, que é a usada pelos estados para notificar casos graves e mortes por síndromes respiratórias. Mudança nos critérios de diagnóstico ANTES: clínico, laboratorial e diferencial DEPOIS: clínico, laboratorial e por imagem CLÍNICO: síndrome gripal, histórico de contatos e deslocamento e exame físico CLÍNICO: junta as descrições do anterior de clínico e diferencial. Amplia a possibilidade de casos sem histórico de contatos e deslocamento LABORATORIA: RT PCR e sorológico validado pelas instituições de referência LABORATORIAL: diferencia RT PCR, sorológicos e testes rápidos. Estes últimos aconselhados apenas na ausência de outros e com a ressalva de que "não possuem sensibilidade desejada" DIFERENCIAL: "por eliminação" alerta que há outras síndromes parecidas POR IMAGEM: busca por alterações no pulmão em uma tomografia. Depois da mudança do formulário em julho, o documento foi atualizado em 6 de agosto. No diagnóstico clínico, o principal acréscimo foi a possibilidade de o médico determinar que o paciente tinha Covid mesmo sem histórico de contatos com infectados confirmados ou deslocamento para o exterior. No caso do diagnostico laboratorial, passou a considerar todos os principais disponíveis no território brasileiro: o RT PCR, os testes sorológicos e os testes rápidos, estes últimos, mesmo com resssalvas. Por fim, acrescentou a possibilidade de definir um caso por exame de imagem, buscando alterações no pulmão em uma tomografia. Justificativa do Ministério No dia 29 de julho, um dia após a mudança no Sivep-Gripe, o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, disse que é normal ocorrerem mudanças e que elas não trariam impacto. "Foram criadas várias associações, vários campos, quando surgiu o surto da influenza, e agora foram criados novos campos com relação a Covid-19. Pelo óbvio, os dados anteriores não serão perdidos", disse Medeiros. Na mesma ocasião, o diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não-Transmissíveis, Eduardo Macário, defendeu que os novos campos permitiriam um "maior detalhamento em relação aos sintomas, à metodologia de diagnóstico ao encerramento de casos". "Ou seja, a gente tem uma melhor compreensão de casos hospitalizados e óbitos por Covid no Brasil", disse Macário. Segundo ele as mudanças foram avaliadas por especialistas e não havia obrigatoriedade de revisão dos casos anteriores. "(...) Caso alguma secretaria estadual ou municipal de saúde queira fazer uma atualização retrospectiva colocando essas informações que não eram possíveis de ser inseridas até esse momento, ele pode fazer essa atualização. Existe essa flexibilidade" - Eduardo Macário, diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis Nesta semana, o Ministério informou que a pasta ainda não tinha um balanço sobre o impacto da nova metodologia no balanço de casos e mortes por Covid-19 no Brasil. "Nós estamos fazendo estudos com relação a isso, já fazem algumas semanas que isso vem se tornando uma realidade. A gente verifica que o número de casos, em algumas semanas houve um aumento. A gente está avaliando se esse aumento reflete com relação à testagem que está aumentada. Claro, uma doença que tem alta transmissibilidade, na hora em que você testa mais a população, você tem mais chances de identificar indivíduos infectados. E sim, não apenas a testagem, mas sim, o diagnóstico clínico e o diagnóstico por imagem, isso também pode ter um reflexo, um aumento no número de casos", disse Arnaldo Medeiros. Fonte: G1

Matéria não encontrada!