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Preso acusado de matar 2 atirando com fuzil em Kenosha, nos EUA, postou fotos com armas e admirava trabalho da polícia

Kyle Rittenhouse, de 17 anos, postou vídeo em um comício de Donald Trump; acusado de homicídio, ele foi filmado disparando com fuzil em Kenosha.

27 de Agosto de 2020
20:29
Foto: Reprodução/TV Globo

Kyle Rittenhouse, o jovem de 17 anos preso e acusado nesta quarta-feira (26) por homicídio doloso depois que duas pessoas foram mortas e uma terceira ficou gravemente ferida por tiros nas manifestações antirracistas em Kenosha, em Wisconsin, viajou para lá para, aparentemente, dar apoio a uma instituição que admirava: a polícia. Segundo reportagem de Teo Armus para o "The Washington Post", Rittenhouse cresceu nos subúrbios ao norte de Chicago e foi cadete de um programa de polícia mirim onde morava. Em suas redes sociais havia postagens com os dizeres Blue Lives Matter (Vidas Azuis Importam). A frase é usada pelo contra-movimento que busca ressaltar a gravidade das mortes de policiais, em contraposição ao Black Lives Matter, que tem ênfase em denunciar a violência cometida pelas forças de segurança contra os americanos negros. Conforme relata o "Post", o jovem acusado de assassinato postou também vídeos em que aparece na primeira fila de um comício presidencial do republicano Donald Trump, além de publicar fotos em que aparece segurando armas. No Wisconsin, a compra e porte de armas é permitida apenas para pessoas maiores de 21 anos. Um decreto municipal também impunha toque de recolher na cidade de Kenosha na noite em que os tiros foram disparados. Vizinhos e representantes de instituições locais disseram ao jornal que o jovem abandonou o ensino médio e via os policiais como heróis e que ele teria viajado desde outro estado para oferecer seu apoio aos policiais locais durante a nova onda de protestos antirracistas em Wisconsin. Segundo a publicação, ele se referia aos deveres dos policiais como se fossem seus também e decidiu pegar a estrada quando grande protestos, saques e incêndios eclodiram em Kenosha após os disparos contra Jacob Blake no domingo (23). Em entrevista ao "Daily Caller", pouco antes dos tiros, o acusado de matar dois manifestantes teria dito estar ali para proteger as pessoas. “As pessoas estão se ferindo e nosso trabalho é protegê-las”, disse Kyle Rittenhouse. No dia seguinte, os homens da lei que ele tanto admirava o prenderam em sua casa em Antioch, Illinois, próximo à fronteira com Wisconsin. Ele morava com sua mãe, Wendy Rittenhouse, uma auxiliar de enfermagem, em um tranquilo complexo de apartamentos a 30 km de Kenosha. Há relatos de que integrantes armados de milícias e opositores dos protestos antirracistas tenham ido a Kenosha na última terça-feira – quando aconteceram os disparos –, entretanto, a polícia não informou se Rittenhouse fazia parte de algum movimento organizado. De acordo com registros judiciais analisados ​​pelo jornal "Chicago Tribune", a mãe de Rittenhouse fez o pedido de um ordem de proteção para seu filho em janeiro de 2017, alegando que um colega de classe do adolescente o ameaçava e o chamava de "burro" e "estúpido". O superintendente escolar de Antioch, Jim McKay, confirmou que Rittenhouse frequentou o ensino médio na Lakes Community High School durante um semestre entre 2017 e 2018, mas que ele não voltou a se matricular em nenhuma das escolas secundárias locais depois disso. Fora da escola, Rittenhouse participou do programa de cadetes no Corpo de Bombeiros de Antioch e no Departamento de Polícia de Grayslake. Esse é um tipo de programa de treinamento para jovens interessados em ingressar nas forças de segurança dos EUA. Destinada a participantes de 14 a 21 anos, a formação pelo departamento de polícia oferece “a oportunidade de explorar uma carreira na aplicação da lei” por meio de caronas com policiais em patrulha e treinamento com armas de fogo, de acordo com conteúdo removido do site oficial. Rittenhouse também trabalhou como salva-vidas em meio período dentro de uma unidade da ACM (Associação Cristã de Moços) em Lindenhurst, Illinois, mas foi dispensado em março. Fonte: G1

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