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Nobel de Medicina 2020 vai para Harvey J. Alter, Michael Houghton e Charles M. Rice pela descoberta do vírus da hepatite C

Doença, para a qual não existe vacina, é uma inflamação do fígado, que pode se tornar crônica e causar câncer, levando à morte. Cientistas vencedores são dos Estados Unidos e do Reino Unido. Prêmios em Física, Química, Literatura e Paz serão anunciados ao longo da semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda.

05 de Outubro de 2020
11:42
Foto: Claudio Bresciani/AP

Harvey J. Alter, Michael Houghton e Charles M. Rice são os ganhadores do Prêmio Nobel 2020 em Medicina, anunciou a Academia Sueca nesta segunda-feira (5), pela descoberta do vírus da hepatite C, que causa uma inflamação do fígado que pode se tornar crônica e causar câncer, levando à morte. A doença, que é transmitida pelo sangue ou outros fluidos corporais, é considerada um problema mundial de saúde. Os vencedores dividirão, em partes iguais, o valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,3 milhões). Os estudos do virologista americano Harvey J. Alter, 85 anos, de hepatite associada a transfusões de sangue demonstraram que um vírus então desconhecido era uma causa comum de hepatite crônica. Ele é pesquisador do National Institutes of Health (NIH), nos EUA. Michael Houghton, virologista britânico, usou uma estratégia não testada para isolar o genoma do novo vírus, que passou a ser conhecido como o vírus da hepatite C. Ele é diretor do Instituto de Virologia Aplicada da Universidade de Alberta, no Canadá. Charles M. Rice, virologista americano de 68 anos, forneceu a evidência final mostrando que o vírus da hepatite C podia, sozinho, causar a doença. Ele é professor de virologia na Universidade Rockefeller, nos EUA. O secretário do comitê do Nobel, Thomas Perlmann, disse que conseguiu falar com dois dos vencedores logo após a decisão: Harvey Alter e Charles M. Rice, e que ambos ficaram "muito animados". Questionado sobre por que o comitê do prêmio só o concedeu agora aos cientistas – mais de 30 anos após a descoberta, em 1989 – Perlmann, ele mesmo professor de biologia de desenvolvimento molecular no Instituto Karolinska, na Suécia, respondeu que "leva tempo" antes que fique realmente claro que uma descoberta é importante – e o quão importante ela é. "Depois de 1989, quando o vírus foi clonado, tornou-se aparente bem rápido que era [uma descoberta] útil para a serologia, mas houve desenvolvimentos adicionais que levaram a medicamentos antivirais que se provaram imensamente importantes, e isso é muito mais recente. Mas a segunda razão é que o comitê do Nobel é muito cuidadoso antes de chegar à decisão", declarou Perlmann. Tipos de hepatite Existem cinco tipos de hepatite: A, B, C, D, e E. Há vacinas contra dois deles: A e B (no Brasil, elas são cobertas pelo SUS). Para o tipo E, há uma imunização desenvolvida e licenciada na China, mas que não está disponível em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Já o tipo D só pode infectar uma pessoa que já tenha o vírus da hepatite B no corpo. Não há vacina para a hepatite C. Cerca de 30% das pessoas infectadas eliminam o vírus dentro de 6 meses após a infecção, segundo a OMS. As outras desenvolvem a forma crônica da doença. O tratamento oferece chance de cura acima de 95% (veja mais abaixo as formas de prevenção e tratamento). Hepatite C: uma doença silenciosa e subdiagnosticada Em seu último relatório sobre a doença, de 2017, a OMS estimava que, em 2015, havia 71 milhões de pessoas no mundo vivendo com hepatite C crônica. As sequelas da doença – cirrose e carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer no fígado – causaram 400 mil mortes naquele ano, segundo a entidade. Importância da descoberta Nos anos 1940, ficou claro para a medicina que havia dois tipos de hepatite infecciosa: a primeira, a hepatite A, era transmitida por água ou comida contaminadas e tinha pouco impacto a longo prazo para o paciente. A segunda era transmitida pelo sangue ou outros fluidos corporais e era bem mais séria que a primeira, podendo levar a um problema crônico de saúde. Em 1960, um cientista chamado Baruch Blumberg determinou que uma forma da hepatite transmitida pelo sangue era causada pelo vírus da hepatite B. Blumberg venceu o Nobel de Medicina em 1976 pela descoberta. Mas a maioria dos casos de hepatite transmitida pelo sangue continuava sem motivo claro. A descoberta do vírus da hepatite C, em 1989, revelou a causa dos casos restantes de hepatite crônica e possibilitou exames de sangue e novos medicamentos que salvaram milhões de vidas. A hepatite C, assim como a B, é uma das causas de inflamação de longo prazo do fígado, podendo levar a câncer, e é um dos principais motivos para transplante do órgão. Fonte: G1

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