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'Ele gritava que não conseguia respirar', diz amigo de negro morto em supermercado de Porto Alegre

Delegada diz que análise preliminar aponta asfixia. João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado e morreu em uma unidade do Carrefour. Em nota, estabelecimento chamou ato de criminoso.

20 de Novembro de 2020
13:12
Foto: Reprodução/Redes sociais

Um amigo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, homem negro espancado até a morte em um supermercado de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (19), disse que ele "gritava que não conseguia respirar" enquanto os seguranças o agrediam. Freitas foi espancado por seguranças brancos e morreu em uma unidade do Carrefour. As imagens da agressão foram gravadas e circulam nas redes sociais. "Aquele vídeo ali, cara, mostra toda a agressão que ele teve antes de vir a óbito. Além de agredirem ele, deram um mata-leão nele, asfixiaram ele, pessoal pedindo para largarem ele, para deixar ele pra respirar, porque ele gritava que não conseguia respirar, eles não largaram, quando largaram ele já estava roxo, já estava sem respirar", diz Paulão Paquetá, amigo da vítima. Paulão mora no mesmo bairro que João Alberto. Ele diz que foi ao supermercado para fazer compras e, ao chegar, viu o amigo sendo agredido. "[Cheguei] na hora que estavam agredindo. Eles já tinham tomado o celular dos motoboys. A gente não conseguiu filmar. Era muito segurança", afirma Paulão. "Não tínhamos como fazer [nada]. Nos manifestamos depois com a chegada da Brigada Militar", acrescenta. Ainda não se sabe qual foi a causa da morte, mas segundo a delegada Roberta Bertoldo, uma análise preliminar da perícia indica asfixia. A esposa de João disse à polícia que os dois foram fazer compras no supermercado e que, após fazer um gesto para uma fiscal, João foi conduzido para fora do mercado, onde ele foi agredido até a morte. Os dois suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o crime como homicídio qualificado. Segundo a Polícia Civil, o policial militar trabalhava como segurança do supermercado. Em nota, a Brigada Militar disse que o PM envolvido na agressão é "temporário" e estava fora do horário de trabalho de policial. O caso A Brigada Militar informou que o espancamento começou após um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do supermercado, que fica na Zona Norte da capital gaúcha. A vítima teria ameaçado bater na funcionária, que chamou a segurança. O Carrefour informou, em nota, que lamenta profundamente o caso, que iniciou rigorosa apuração interna e tomou providências para que os responsáveis sejam punidos legalmente. A rede, que atribuiu a agressão a seguranças, também chamou o ato de criminoso e anunciou o rompimento do contrato com a empresa que responde pelos funcionários agressores. O vídeo da agressão circula nas redes sociais desde o final da noite de quinta-feira. A polícia vai analisar as imagens do vídeo postado e também de câmeras de segurança do local. Nas imagens que circulam nas redes, é possível ver dois homens vestindo roupa preta, o que aparenta ser o uniforme dos seguranças, dando socos no rosto da vítima, que já está no chão. Uma mulher que estava próxima deles parece filmar a ação dos agressores. Em seguida, já com sangue espalhado pelo chão, outras pessoas aparecem em volta do homem agredido, enquanto os dois agressores continuam tentando mobilizá-lo no chão. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) tentou reanimar o homem depois que ele foi espancado, mas ele morreu no local. O crime está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre. Fonte: G1

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