revistadestaque@terra.com.br
(67) 3384-4384

Estudo da USP mostra que humoristas fortaleceram 'branqueamento' da sociedade brasileira com piadas racistas

Profa. dra. Maria Margarete dos Santos Benedicto analisou publicações humorísticas destinadas à 'classe letrada' durante a construção da identidade brasileira, logo após a proclamação da República, quando o governo adotava medidas em prol da miscigenação. "A dor dos judeus choca, a nossa vira piada", diz verso do rapper Emicida que, para a professora, resume sua tese.

20 de Novembro de 2020
19:50
Foto: Biblioteca Nacional Digital/Reprodução

Uma pesquisadora do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP) identificou que o humor praticado pela elite intelectual no período pós-escravidão contribuiu fortemente para a manutenção do racismo e, até mesmo, para o “branqueamento” da sociedade brasileira. No estudo “Quaquaraquaquá quem riu? Os negros que não foram...”, a profa. dra. Maria Margarete dos Santos Benedicto afirma que as primeiras décadas após a proclamação da República, em 1889, foram marcadas pela busca por uma identidade nacional, pela intensificação da atividade urbana e, sobretudo, pela instabilidade social, com a maior parte da população na pobreza e formada por escravos recém-libertos. De acordo com Maria Margarete, àquela altura, a elite política e intelectual realmente se debruçava sobre o “problema negro”, e parte dela apostava efetivamente no "branqueamento" da sociedade por meio da miscigenação e de leis, que incentivavam a imigração de colonos europeus, de modo que “a ‘raça negra’ poderia ser reduzida em três gerações”. A professora lembra que o período foi descrito pelo estudioso Abdias do Nascimento como a "materialização do racismo institucional". Por meio de uma ampla pesquisa e do acesso a documentos históricos raros, a professora identificou que as revistas da época, que apresentavam os primeiros textos e charges satíricas produzidas e destinadas à "classe letrada", fortaleciam essa ideologia no modo como os negros eram representados. "O que aprendemos nos livros é uma história eurocêntrica, com questões políticas e sociais da Europa, de modo que eu podia apenas desconfiar que a elite intelectual daquela época era racista, o que ficou comprovado na quantidade de material que encontrei na minha pesquisa, em fontes dispersas. Nessa documentação ficou nítido o empenho pelo branqueamento da nação. Era o racismo ali, literalmente, o racismo", disse a professora ao G1. "Há um verso do compositor Emicida que resume a minha tese e que diz: 'a dor dos judeus choca, a nossa vira piada'", continuou a profa. dra. Maria Margarete dos Santos Benedicto. Fonte: G1

Matéria não encontrada!